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  <title>OPIÁRIO</title>
  <subtitle>Navegar é preciso, viver é impreciso</subtitle>
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    <name>Saint-Clair Stockler</name>
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  <updated>2009-07-06T18:13:38Z</updated>
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    <title>A hora</title>
    <published>2009-07-06T18:13:38Z</published>
    <updated>2009-07-06T18:13:38Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://ocram.files.wordpress.com/2006/12/bandeira_do_brasil-de-luto.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro pra vocês que se eu tivesse os meios para fazê-lo, esta seria a hora de arrumar as malas e pular fora do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou convencido de que nunca antes na história deste país nós estivemos tão mergulhados num mar de lama e merda tão grande! Chego a me sentir profundamente humilhado em ser brasileiro ao ver um cara como o Lula, com a sua dita "trajetória política",&amp;nbsp;movendo mundos e fundos para salvar o lamentável José Sarney.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma hora negra pro nosso país, mas parece que ninguém está dando a menor bola pra isso. Somos um país de 190 milhões de autistas, cada um enfurnado no seu mundinho e que se dane o resto.&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Tudo na vida é uma questão de se entender as coisas</title>
    <published>2009-07-06T03:35:34Z</published>
    <updated>2009-07-06T03:35:34Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://www.thefreshpage.com/uploads/images/gadgets/sony-ericsson-w980.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, pois é, tudo na vida é questão de se entender as coisas, de chegar nelas pelo lado mais propício. Por exemplo: meu irmão me deu um Sony Ericsson w980, que nem esse da foto aí de cima. É um celular (adoro a palavra "telemóvel") incrível, cheio de funcionalidades e algumas frescuragens: até chamada de vídeo o bichinho faz! Como vocês todos que me lêem sabem, sou fã apaixonado da Nokia, até hoje só troquei os meus celulares Nokia porque enjoei, não porque tivessem dado defeito, mas de cavalo dado a gente não repara os dentes. Andei uma semana me "adaptando" ao w980 e já estava prestes a assumir a&amp;nbsp;humilhante derrota e pedir o meu Nokia 5310 de volta (que eu dei pro meu irmão), quando subitamente se fez a luz, e tudo se iluminou dentro da minha cabeça! A questão resolveu-se de modo muito simples, porque finalmente entendi que o w980 não é um celular que vem com um mp3 player mas um mp3 player que, por acaso, também vem com um celular e faz ligações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece besteira, mas depois dessa súbita epifania, eu e o w980 começamos a entabular uma certa relação: já não olho mais pra ele atravessado, de má-vontade e mau humor, e ele agora se deixa manipular mais docilmente, creio mesmo que até meio contentinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o meu povo lá de Minas diz, que coisa besta sô! A gente acha filosofia nos lugares os mais inesperados...&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Español</title>
    <published>2009-07-06T00:19:57Z</published>
    <updated>2009-07-06T00:22:54Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;La noche me cubre y tú me entregas en la boca todo cuanto cabe entre tus manos. La vida es una en nosotros, en esa caricia en la cual confundo tus manos con mi boca, donde no sé sí es tuya o mía esa lengua, de quién esa piel, y de dónde entonces esa mano que hace suyo un seno que está no sé dónde, porque no sé quién está arriba o abajo, ni quién cuándo o por qué, de quién ese ser que se adentra y se derrama, en el grito que hiere cuando llegas. Y respiro para atarte a ti, mi amante, ropa henchida en el piso, silencio y cuerpo que ignoro, que abrazo, sin razones para negarme a tu cuerpo, sus tentáculos de fuego, sus cavidades de hiel.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.learn-spanish-online.de/exercises/level3_listen_comprehension/short_stories/eva_duran/del_cuerpo_y_la_memoria/del_cuerpo_y_la_memoria_1.htm"&gt;Del cuerpo y la memoria&lt;/a&gt;, Eva Durán&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Dica de leitura: a outra Londres</title>
    <published>2009-07-05T12:33:43Z</published>
    <updated>2009-07-05T12:34:36Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;Descobri, bem recentemente, um blog do site da BBC sobre Londres. É escrito em brasileiro e, ao que pude perceber, revezam-se três ou quadro jornalistas mulheres que moram em terras de Sua Majestade, escrevendo sobre os mais variados assuntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei encantado com a leveza dos textos e com o fato de que são muitíssimo bem-escritos (em tempos da não-obrigatoriedade de diploma para jornalistas, o que ando vendo de absurdos escritos por aí não está no gibi!), de um jeito que só as mulheres às vezes parecem saber fazer, já que leveza e sensibilidade não são qualidades muito comuns entre os machos de nossa espécie. O meu texto preferido dos que já pude ler é o que fala sobre &lt;a href="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/2009/06/caca_aos_esquilos.shtml"&gt;os esquilos cinzentos londrinos&lt;/a&gt;, que são encarados pelos ingleses como uma praga a ser exterminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem estiver interessado, aí vai o link do blog:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/"&gt;http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/london/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu recomendo!&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Marguerite Duras estrangeira?</title>
    <published>2009-07-05T06:11:42Z</published>
    <updated>2009-07-05T06:11:42Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;Acho que, agora que não se precisa mais de diploma, vou me tornar jornalista. Mais precisamente: jornalista literário. Ao menos, acho que tenho conhecimento o suficiente para não cometer barbaridades do tipo que cometeu Luciano Trigo no blog d'O Globo que segue a FLIP, o &lt;a href="http://colunas.g1.com.br/maquinadeescrever/"&gt;Máquina de escrever&lt;/a&gt;. Escrevendo a respeito do afegão Atiq Rahimini (que ganhou o Goncourt), Trigo solta a seguinte pérola:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="WIDOWS: 2; TEXT-TRANSFORM: none; TEXT-INDENT: 0px; BORDER-COLLAPSE: separate; FONT: 16px &amp;#39;Times New Roman&amp;#39;; WHITE-SPACE: normal; ORPHANS: 2; LETTER-SPACING: normal; COLOR: rgb(0,0,0); WORD-SPACING: 0px; -webkit-border-horizontal-spacing: 0px; -webkit-border-vertical-spacing: 0px; -webkit-text-decorations-in-effect: none; -webkit-text-size-adjust: auto; -webkit-text-stroke-width: 0px" class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="TEXT-ALIGN: left; FONT-FAMILY: arial; COLOR: rgb(51,51,51); FONT-SIZE: 14px" class="Apple-style-span"&gt;"Rahimi, de quem li, na noite passada, o&amp;nbsp;pequeno romance&lt;span class="Apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;em style="PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-RIGHT-WIDTH: 0px; MARGIN: 0px; PADDING-LEFT: 0px; OUTLINE-WIDTH: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; FONT-FAMILY: inherit; BORDER-TOP-WIDTH: 0px; BORDER-BOTTOM-WIDTH: 0px; FONT-SIZE: 14px; BORDER-LEFT-WIDTH: 0px; PADDING-TOP: 0px"&gt;Syngé Sabour - Pedra de paciência&lt;/em&gt;. Altamente poética e fortemente marcada pela&amp;nbsp;literatura de Marguerite Duras, outra estrangeira assimilada pela cultura francesa (...)"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, só isso já foi suficiente para me botar espumando: como assim, Marguerite Duras "estrangeira assimilada pela cultura francesa"?!? Marguerite Duras foi francesa por toda a sua vida, &lt;em&gt;nunca&lt;/em&gt; deixou de sê-lo e é impensável&amp;nbsp;- chega a ser insano - falar&amp;nbsp;numa Duras "estrangeira". Por acaso ela nasceu em Gia Dingh, próximo de Saigon, na antiga Indochina francesa. Nasceu lá porque sua mãe foi uma das colonizadoras do país, viviam ali como se na França estivessem, nunca se adaptaram - e nem havia motivos para fazê-lo - à cultura dos colonizados. A Indochina era então, além de "propriedade" da França, um lugar que reproduzia, ao menos para os colonizadores, &lt;em&gt;les moeurs français&lt;/em&gt;... Marguerite Duras nunca precisou ser "assimilada" pela literatura francesa simplesmente porque nunca deixou de fazer parte dela, nem por um segundo! Não é difícil perceber que seu ponto de vista sempre foi o de uma francesa, mesmo quando fora da França: quem leu&amp;nbsp;pelo menos seu livro mais famoso, &lt;em&gt;O amante&lt;/em&gt;, não terá dificuldades em constatá-lo. Não é como, por exemplo, o caso da chinesa Shan Sa, que precisou aprender francês e só depois que começou a escrever livros nesse idioma foi que conseguiu o reconhecimento.&lt;/p&gt;</content>
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    <title>A Queda do Bigodão</title>
    <published>2009-07-03T23:49:58Z</published>
    <updated>2009-07-03T23:49:58Z</updated>
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    &lt;br&gt;&lt;br /&gt;FORA SARNEY!</content>
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    <title>Terceiro Mundo</title>
    <published>2009-07-03T07:39:16Z</published>
    <updated>2009-07-03T07:43:32Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;Há cerca de 20 minutos, um Celta bateu no poste em frente da minha casa. Cinco minutos depois, apareceu uma patrulhinha. Minha mãe ligou para os bombeiros, e foi atendida por uma pessoa sonolenta que, segundo ela, parecia ter acabado de acordar. Até agora os bombeiros não apareceram. O motorista continua dentro do carro. Os policiais estão sendo de uma incompetência abismante. Se limitam a ficar de braços cruzados, observando tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo três e meia da manhã, é claro que juntou gente. Às vezes acho que o verdadeiro esporte nacional brasileiro é ver pessoas acidentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os bombeiros ainda não apareceram. Estou chocado (era pra ficar, Saint-Clair? Brasil...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe, que é ainda mais maldosa do que eu, avisa que os policiais estão revistando o veículo. "Pra roubar alguma coisa, claro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a primeira ambulância aparece! O paramédico desceu dela como se fosse passar o domingo no parque, numa lentidão digna de um bailarino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo de estranho acontece: o paramédico que, depois de olhar pelo vidro o motorista ferido, ligou para a central do seu celular e voltou para a ambulância, anda a xingar aos berros alguém lá dentro. Será um dos enfermeiros? Não, não é. Já tem alguém ali, amarrado a uma maca. Um bêbado? Um drogado? Por que o paramédico, um "profissional", fica xingando aos berros a pessoa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega a segunda ambulância. Agora, finalmente, se preparam pra tirar o motorista. O paramédico e um enfermeiro pedem a ajuda de um dos policiais. Não é suficiente, precisam que uma das pessoas que se juntaram para assistir também&amp;nbsp;ajude.Parece que o acidentado está com bastante dor, mas pelo menos não se esqueceram de colocar o colar no pescoço dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acaba de chegar uma senhora com um rapaz, parentes ou amigos do acidentado. Vi quando um dos meus vizinhos que desceu pra assistir (sim, o verbo é esse mesmo) pediu ao motorista que informasse o telefone de alguém, "pra avisar". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira ambulância foi embora. Levou o pobre coitado (drogado? bêbado?) amarrado na maca. O paramédico praticamente nada fez no presente caso, mas se desestressou bastante xingando a pessoa amarrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Botaram o motorista na segunda ambulância e a estacionaram aqui na calçada, suponho que para os primeiros socorros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, agora se foram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Algumas considerações:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos brasileiros: torçam para que Deus ou o Acaso nunca permitam&amp;nbsp;que vocês sofram um acidente! O festival de incompetências que acabo de relatar não é exceção - é a regra. Fiquei, aqui do quarto andar, observando tudo com olhar crítico de alguém minimamente equilibrado e me parece que houve uma cadeia de erros: na demora na chegada da ambulância, na postura dos policiais, no jeito do paramédico. Mais de 30 minutos para os primeiros socorros a um acidentado não é um tempo aceitável! Quantas pessoas não morrem por causa de situações semelhantes a que acabo de ver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos portugueses: vocês reclamam do seu país, mas as coisas aí ainda são melhores do que aqui. Não serve de consolo, mas pensem nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <title>PDF no Office</title>
    <published>2009-07-02T20:01:35Z</published>
    <updated>2009-07-02T20:04:51Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;Há algumas semanas a Microsoft liberou um&amp;nbsp;Service Pack&amp;nbsp;para o Office 2007. Não sei se apenas para o 2007, pode ser que para o 2003 também. Mas eu uso o 2007. Service Packs são pacotes para correções. Em geral, é só isso mesmo: um bando de correções para bugs que se vai descobrindo ao longo do tempo. Mas algumas vezes, como nesse Service Pack 2, há também o acréscimo de novas funcionalidades aos programas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois agora, do seu Word, você pode pegar&amp;nbsp;um texto qualquer e transformá-lo em PDF. Parece besta, né? PDF, aquele formato de arquivo que em geral a gente só usa em e-books ou e-zines. Pois é: mas acho que essa nova funcionalidade do Word, a de criar PDFs, vai ser uma pequena revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada dia mais vemos pipocar no Brasil (lá fora, em determinados países, isso é já algo pra lá de estabelecido) os e-books em formato PDF. Mas faltava um programa bom e simples pra transformar arquivos em PDF. O Word, que todos nós bem ou mal sabemos mexer, é esse programa. Posso, por exemplo, pegar a minha dissertação de mestrado e em dois minutos ela está pronta e num formato para divulgação virtual, coisa que antes me exigiria descobrir um programinha bom o suficiente para não bagunçar a formatação dela, o que em se tratando de PDF não era uma tarefa muito fácil: os bons programas são pagos, e caros.&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Um lobo na feira</title>
    <published>2009-06-29T14:05:25Z</published>
    <updated>2009-06-29T14:05:25Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;António Lobo Antunes confirma presença na FLIP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu &lt;em&gt;quase&lt;/em&gt; chego a lamentar não poder/não querer ir!&lt;/p&gt;</content>
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    <title>A alma dos subúrbios</title>
    <published>2009-06-28T13:24:22Z</published>
    <updated>2009-06-28T13:24:22Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dessa maneira, Ricardo Coração dos Outros gozava da estima geral da alta sociedade suburbana. É uma alta sociedade muito especial e que só é alta nos subúrbios. Compõem-se em geral de funcionários públicos, de pequenos negociantes, de médicos com alguma clínica, de tenentes de diferentes milícias, nata essa que impa pelas ruas esburacadas daquelas distantes regiões, assim como nas festas e nos bailes, com mais força que a burguesia de Petrópolis e Botafogo. Isto é só lá, nos bailes, nas festas e nas ruas, onde se algum dos seus representantes vê um tipo mais ou menos, olha-o da cabeça aos pés, demoradamente, assim como quem diz: aparece lá em casa que te dou um prato de comida. Porque o orgulho da aristocracia suburbana está em ter todo o dia jantar e almoço, muito feijão, muita carne-seca, muito ensopado - aí, julga ela, é que está a pedra de toque da nobreza, da alta linha, da distinção.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Triste fim de Policarpo Quaresma&lt;/em&gt; (primeira publicação em 1911), Lima Barreto.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Lá e cá</title>
    <published>2009-06-28T01:08:59Z</published>
    <updated>2009-06-28T01:08:59Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;Não posso evitar de comentar: vocês ouviram a gravação do contato telefônico feito por, imagino, um empregado de dentro da casa de&amp;nbsp;Michael Jackson para o famoso 911, o serviço de emergência americano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei, literalmente, de boca aberta. O cara, um tanto apreensivo, é atendido e apenas diz que há "uma pessoa" passando mal, inconsciente, e que precisam de ajuda. Fiquei esperando o inevitável: "É O MICHAEL JACKSON!" e nada! Em momento algum é mencionada&amp;nbsp;a identidade da vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu deus, gente de Primeiro Mundo é mesmo outra coisa!&lt;/p&gt;</content>
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    <title>O título</title>
    <published>2009-06-28T00:52:51Z</published>
    <updated>2009-06-28T00:52:51Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;Tive uma ótima idéia para o título de um livro de contos eróticos: &lt;em&gt;Chupa que é de uva&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Morre Farrah Fawcett</title>
    <published>2009-06-26T13:47:18Z</published>
    <updated>2009-06-26T13:48:24Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://www.sitesnobrasil.com/fotos/images/noticias/2009/04/farrah-fawcett.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembro de, criança, primeiro em Minas, depois no Rio, assistir ao seriado &lt;em&gt;As Panteras&lt;/em&gt; ("Charlie's Angels", no original). Era um dos que eu mais adorava e deve ter sido um dos primeiros, juntamente com &lt;em&gt;A Mulher Maravilha&lt;/em&gt;, em que mulheres eram mais do que meras coadjuvantes gostosinhas. Isso numa época em que o Women's Lib estava engatinhando no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A personagem de Farrah Fawcett não era a minha preferida, mas ainda assim tratava-se de uma loira espetacular, com um cabelo e uns olhões (mesmo em preto-e-branco, pois naquela época, em Minas, poucas famílias tinham TV a cores) deslumbrantes. Sua imagem na tela das televisões brasileiras fez muito homem gemer sem sentir dor, para citar a música de Amelinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem foi um dia muito pesado, muito triste, pois além de Michael Jackson, mais cedo soubemos da sua morte, ao fim de uma batalha travada contra o câncer.&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Michael</title>
    <published>2009-06-26T13:00:21Z</published>
    <updated>2009-06-26T13:00:21Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://i20.photobucket.com/albums/b228/opiario/MichaelJackson.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueça por um momento a figura decadente dos últimos anos. Esqueça a bizarra transformação de negro em branco. Esqueça as acusações, falsas ou verdadeiras, de pedofilia (como disse Caetano Veloso, ainda assim Michael Jackson era moralmente superior aos pais que lhe processaram atrás de dinheiro). Esqueça do monstro e pense na &lt;em&gt;voz&lt;/em&gt;. Pense na voz que nos encantou em tantas canções, no corpo mágico de dançarino capaz de fazer coisas incríveis, nos deixando&amp;nbsp;boquiabertos. É isso o que vai ficar. É isso o que - se até lá ainda houver humanidade - será lembrado daqui a mil anos.&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Mestre Piropo</title>
    <published>2009-06-22T23:46:58Z</published>
    <updated>2009-06-22T23:46:58Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;PS: Isso nada tem a ver com informática, com a Computex e nem sequer com o Fórum PCs, mas não posso me calar diante de tamanha injustiça. Recentemente, durante uma apresentação, o senhor Evandro Mesquita declarou publicamente (desculpem o uso do tabuísmo, mas trata-se de uma citação) que “os políticos são filhos da puta”. Com o devido respeito ao Sr. Evandro, por quem até nutro alguma admiração, quero aqui protestar veementemente contra a generalização gratuita, injusta e indevida. É certo que toda classe comporta certo número de elementos cujo comportamento não condiz com a decência e a honestidade, mas a acusação feita pelo Sr. Mesquita é inteiramente descabida. Estas senhoras exercem há milênios o mais antigo dos ofícios com dignidade e não merecem a pecha de terem gestado as excrescências aéticas a que o Sr. Mesquita se refere. Deixo clara aqui minha repulsa à acusação feita pelo Sr. Mesquita que, a meu ver, deve desculpas públicas à operosa classe das prostitutas pela afirmação ofensiva de serem elas as mães destas figuras abjetas que envergonham nosso país.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.forumpcs.com.br/about.php?about=piropo.html"&gt;B. Piropo&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Jorge de Sena</title>
    <published>2009-06-21T15:46:17Z</published>
    <updated>2009-06-21T15:46:17Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/jorgedesena/jorgedesena01m.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o governo português ultima-se a transplantar para Portugal os restos mortais de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_de_Sena"&gt;Jorge de Sena&lt;/a&gt;, com pompa e circunstância. Salvo engano da minha parte, seu corpo está sepultado nos Estados Unidos (Sena tinha também cidadania brasileira).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora totalmente desconhecido no Brasil, não só pelo público público, vasto público, mas também nas universidades, onde não se ouve seu nome, Sena é considerado por muitos o maior escritor português do século XX (ao refletir sobre esta afirmação, fico em dúvida, pois&amp;nbsp;me vem à mente Fernando Pessoa). Para outros, nesse afã de rótulos e classificações, seria ele o maior autor da &lt;em&gt;segunda metade&lt;/em&gt; do século XX. Também a isto hesito, não por falha literária, mas porque me lembro de Lobo Antunes. E haverá quem me cite o nome de José Saramago, outros José Cardoso Pires, e, ainda, Agustina Bessa-Luís... Enfim: Jorge de Sena foi um dos grandes, e deveria ocupar lugar de honra no Olimpo literário português, coisa que só está sendo feita atualmente, com atraso,&amp;nbsp;porque sempre houve muita reação por parte da Academia à sua "existência literária". Parece que Sena não cabia bem nas vestes que sempre tentaram lhe vestir. A leitura do fragmento abaixo talvez dê uma idéia do porquê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;[...] a mais completa liberdade ser garantida a todas as formas de amor e de contacto sexual. Nenhuma sociedade estará jamais segura, em qualquer parte, enquanto uma igreja, um partido ou um grupo de cidadãos hipersensíveis possa ter o direito de governar a vida privada de alguém.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;[Um dos] prazeres sexuais dos seres humanos tem sido o de reprimir a sexualidade, a própria e a dos outros.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Defendo todas as formas de prostituição, como profissão protegida pela lei e vigiada pela saúde pública. Ainda que isso possa chocar muita gente, parece que, desde sempre, houve machos e fêmeas cujo talento na vida, e cuja vocação definida, é emprestarem o próprio corpo. E quem se vende ou quem compra (o que não tem nada a ver com capitalismo, mas com o direito de qualquer pessoa a dispor de si mesma, em acordo com outra) deve ter a protecção da lei contra redes de exploração, chantagens, etc.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;O que duas pessoas (ou um grupo delas) fazem uma com a outra, fora das vistas dos demais, não diz respeito a esses demais, a não ser que eles vivam na observação mórbida de imaginarem (mum misto de horror e curiosidade, que os torna moralistas raivosos) o que os outros fazem. E o que os outros fazem não altera em nada o equilíbrio social.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;[A pornografia pode ser] um prazer para muita gente e, às vezes, o único que lhes é concedido, pois as pessoas idosas, solitárias, não atractivas, não encontram nunca o chinelo velho para o seu pé doente. Uma prostituição oficializada é obra de caridade para com os feios e os tímidos.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;[Porque hão-de ser] só os ricos e os de maiores posses a terem acesso à pornografia, e não os pobres? As classes mais desprotegidas deviam ter a sua pornografia mais barata, subsidiada pelo Governo, se o Governo fosse ao mesmo tempo inteligente e progressista nestas matérias.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Somos um país imoral, um país depravado às ocultas. Foi isso, no entanto, que nos salvou de mergulhar nas sombras horrendas do puritanismo. Puritanismo que não é parte da nossa herança cultural.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Mil vezes a pornografia do que a castração, a prostituição do que a hipocrisia. Se alguma coisa há que deve ser sagrada, é o prazer sexual entre pessoas mutuamente concordantes em dá-lo e recebê-lo, ou negociá-lo.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;[Os adolescentes e as crianças sempre souberam] muito mais do que os adultos fingem que eles sabem. Raros terão sido os jovens seduzidos na sua inocência. Na maior parte dos casos, o contrário é que é verdade.&lt;/i&gt; &lt;i&gt;Se alguma coisa há que deva ser sagrada, é o prazer sexual entre pessoas concordantes em usufruí-lo e partilhá-lo.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;A obra considerada a mais importante de Sena é o romance &lt;em&gt;Sinais de fogo&lt;/em&gt;. É claro que nenhuma editora&amp;nbsp;brasileira até hoje se mostrou interessada em&amp;nbsp;publicá-lo.&amp;nbsp;</content>
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    <title>Mais um</title>
    <published>2009-06-17T01:43:59Z</published>
    <updated>2009-06-17T01:43:59Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;Mais um escritor pulou fora da &lt;a href="http://www.flip.org.br/"&gt;FLIP&lt;/a&gt;. Há menos de um mês para o início da feira&amp;nbsp;literária&amp;nbsp;de Liz Calder, é a vez de Tobias Wolf avisar que não vem, "por motivos de saúde". Acho meio indelicado (ele teve um infarto, um derrame, um AVC, tiveram de lhe amputar uma perna?), mas como dizia um chefe que tive: "doença não dá em poste"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escritores anteriores que avisaram não poder vir foram Junot Díaz (?) e Carlos Fuentes. Nunca li nada de Wolf, por absoluta falta de interesse. Junot Díaz não sei quem é, sequer desconfio se é homem ou mulher. Mas a ausência de Fuentes é, sim, lamentável. Escritor maravilhoso!&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Cara-de-pau!</title>
    <published>2009-06-16T23:52:42Z</published>
    <updated>2009-06-17T02:04:32Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://www.portalibahia.com.br/falabahia/wp-content/uploads/2009/05/sarney-dois.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Opiário é um blog que não gosta de tocar em política, sobretudo a brasileira, porque é a mesma coisa que enfiar o braço num latão cheio de merda. Mas não resisto a comentar: gente, o que foi o discurso do Zé Sarney no Senado? Constrangedor! A única justificativa que ele tinha pra dar ao fato de ter contratado parentes, nos tais Atos Secretos (belo nome pra um romance, hein? Serviria muito bem pra um livro do Esdras do Nascimento!), atos&amp;nbsp;contra a lei, não nos esqueçamos, é a de que se se tem de punir alguém, que não seja só ele, que mais gente também fez?!? Dizer que "a crise é do Senado, não dele"?! Alguém precisa relembrá-lo de que ele já foi Presidente do Brasil, já foi diversas vezes senador (está há 19 anos esquentando com sua Excelentíssima Bunda as cadeiras da Casa) e que - surpresa!- ele &lt;i&gt;é&lt;/i&gt; o atual Presidente daquela instituição!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo bem, fiz merda, mas não fui só eu, não mereço ser o único punido" não é, me desculpem, resposta a se esperar da boca do Presidente do Senado brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raposa velha ainda quis fazer crer que o que está acontecendo atualmente, com tanta merda do Senado vindo a público, é coisa do interesse de "setores radicais da mídia". Ele preferia o quê? Ficar quietinho lá, com cara de bunda, e a gente fingindo que nada está acontecendo, enquanto ele e os demais parlamentares vão mais e mais contratando parentes e deleitando-se em regalias nababescas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patético, lamentável, constrangedor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volta pro seu feudo, o Maranhão, senador!&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;Adendo&lt;/em&gt;: Um lúcido artigo de Lucia Hippolito a respeito do lamentável discurso do Imperador do Maranhão, Sir Ney (como o chamou certa vez Millôr Fernandes),&amp;nbsp;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/#196095"&gt; está disponível on line&lt;/a&gt;. Vale a pena dar uma lida.&lt;/p&gt;</content>
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    <title>"Por que você escreve?" - Ronaldo Wrobel</title>
    <published>2009-06-16T22:05:03Z</published>
    <updated>2009-06-16T22:18:04Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://i20.photobucket.com/albums/b228/opiario/buenosaires050.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi pela primeira vez o nome de Ronaldo Wrobel através de um amigo que me perguntou se eu conhecia esse escritor carioca. Envergonhado, porque me orgulho de conhecer praticamente tudo de literatura brasileira ("tudo" não, porque aí já seria megalomania demais!), e aproveitando que eram tempos de vacas gordas, mandei vir o que havia disponível na internet de sua autoria. O que não era muito: um livro de contos, &lt;em&gt;A raiz quadrada,&lt;/em&gt; e um romance, &lt;em&gt;Propósitos do acaso&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo estava fisgado: Wrobel é um daqueles abençoados escritores para quem escrever um conto, um romance, é igualmente saber contar uma boa história. O escritor, que é judeu, pertence à linhagem dos grandes autores que têm como padroeira Sherazade, sejam eles também judeus ou não: Isaac Bashevis Singer, Michael Chabon, Victor Giudice, José Eduardo Agualusa, Lygia Fagundes Telles, Mario Vargas Llosa, Isak Dinesen, só para citar alguns que me ocorrem aleatoriamente. Em suas obras o "ruído da literatura" não se sobrepõe ao que é narrado, antes dá um&amp;nbsp;braço ao outro e saem ambos surpreendendo o leitor. O resultado é de uma maravilha, de um deslumbramento, aquilo que a literatura devia ser mas que frequentemente não vem sendo, porque os autores estão mais preocupados, quais moscas, em dar voltas em torno de seu próprio umbigo. Falei aqui embaixo, num post, a respeito de os personagens de Vargas Llosas estarem "vivos", pulsantes na página, inteiramente convincentes. Os personagens de Ronaldo Wrobel me dão a mesmíssima sensação. Costumo chamar a esse tipo de escritor, e trata-se de um elogio, de "contador de histórias".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ronaldo Wrobel brindou os leitores do Opiário com a seguinte resposta à questão "Por que você escreve?":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por que escrevo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para vazar a alma, para justificar a alma, para domar a solidão, para ter paz, para ter silêncio, para agradar a alguém, para apaixonar alguém e viver através dele, para ser alguém, para deixar um saldo, um rastro, para conseguir dormir, para controlar os espirros, a pressão, a fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que que são esses os motivos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/em&gt;</content>
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    <title>Lendo no celular</title>
    <published>2009-06-16T14:21:53Z</published>
    <updated>2009-06-16T14:25:44Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://www.nirmaltv.com/wp-content/uploads/2008/02/nokia-5310-xpressmusic-phone.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém talvez ainda&amp;nbsp;se lembre que comentei, no começo deste ano, que andava lendo &lt;em&gt;As travessuras da menina má&lt;/em&gt;, do Vargas Llosa, no celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os meus amigos, aqueles que convivem pessoalmente comigo, esse meu hábito "bizarro" é motivo de choque e surpresa. "Mas como você consegue ler na telinha de um celular?!" Pois é, consigo - e bem. A questão é que a única coisa de diferente entre uma tela de celular e uma página de um livro é o tamanho da mancha (= parte impressa de uma página de livro, jornal, etc.), porque as letras têm a mesma medida. Leio confortavelmente, e olha que meu celular nem é um smartphone, é um Nokia 5310 simplezinho, igual ao da foto acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova de que leio bem, se necessidade de provas houvesse, é que terminei ontem esse romance maravilhoso que é &lt;em&gt;As travessuras da menina má&lt;/em&gt;. Confesso que no início, meio receoso, tinha também as minhas dúvidas se conseguiria dar conta de um livro tão volumoso via celular. E mesmo levando tanto tempo - porque a leitura não foi contínua, diária, ficava longas semanas sem "pegar no livro" -, devo dizer que foi uma das mais produtivas que realizei nos últimos tempos. Vargas Llosa, mais uma vez, nos dá uma aula estupenda de narração. Ele é - continua a sê-lo -, de fato, um dos grandes romancistas da América Latina ainda vivos. É impressionante o seu domínio da técnica narrativa! Ricardo Somocurcio e a Menina Má (seja lá como se chame afinal) estão vivos, pulsantes, diante de nós. Tinha lido, sei lá onde, alguém a comentar que esse último romance de Vargas Llosa "não era tão bom quanto alguns outros" do mesmo autor. Discordo veementemente: o livro é a prova de que Vargas Llosa é mesmo um grande e&amp;nbsp;apaixonado leitor de Flaubert e que não foi por acaso que&amp;nbsp;escreveu aquele livro fundamental para os estudos flaubertianos, &lt;em&gt;A orgia perpétua&lt;/em&gt;, sobre o &lt;em&gt;Madame Bovary&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil ainda não tem, fabricado aqui, nenhum e-book reader do tipo do Kindle da Amazon ou do leitor da Sony (cito só os dois mais importantes). Pra dizer a verdade, ainda não vi, nem em lojas de importados, e-book readers sendo comercializados. Não surpreende: num país onde a leitura é uma atividade praticada por tão pouca gente, em que há milhões de analfabetos funcionais e analfabetos tradicionais, um aparelhinho que sirva para ler livros deve mesmo custar a aparecer - se é que vai (me garantem que sim, mais cedo ou mais tarde). E ao preço, lá, de 300 ou 400 dólares, é impensável tentar comprar um, por causa dos impostos que desabarão sobre esse valor. Então, o que se faz? Dá-se um jeito. Ainda bem que existem celulares quebrando o galho por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A leitura de um livro no celular nos permite&amp;nbsp;observar alguns dados curiosos, aos quais em geral não temos acesso quando lemos em papel: levei&amp;nbsp; 9 horas, 29 minutos e 1 segundo&amp;nbsp;para ler o romance de Vargas Llosa, e acessei-o 30 vezes)&lt;/p&gt;</content>
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    <title>"Por que você escreve?" - Elvira Vigna</title>
    <published>2009-06-14T19:54:58Z</published>
    <updated>2009-06-14T20:15:42Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://i20.photobucket.com/albums/b228/opiario/ElviraVigna.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritora, artista plástica, crítica de arte. &lt;a href="http://vigna.com.br/"&gt;Elvira Vigna&lt;/a&gt; é uma mulher de inúmeras facetas e com inúmeros livros publicados, tanto infanto-juvenis quanto adultos. É dos melhores romancistas brasileiros que conheço. Seu &lt;em&gt;A um passo,&lt;/em&gt; um dos livros mais instigantes que já li, que não canso de reler, merecia ser melhor conhecido até mesmo daqueles que se dizem "entendedores" em literatura - a Companhia das Letras havia publicado três outros de seus romances, quando&amp;nbsp;deixou passar este, o que é uma pena. Além de tudo isso, o que não é pouco, sobretudo aqui nos tristes trópicos, acho Elvira uma mulher muito bonita (ela achou engraçadíssimo quando eu falei).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é do seu feitio, Elvira foi curta e grossa, mas não grosseira, e me devolveu por e-mail a seguinte resposta à pergunta "Por que você escreve?":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Porque me faz sentir viva.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <title>A habitante da torre de marfim</title>
    <published>2009-06-12T22:30:47Z</published>
    <updated>2009-06-14T11:56:58Z</updated>
    <content type="html">&lt;img title="" src="http://nycphoto.interactivenyc.com/archives/photos/2007/_MG_4009.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Patrícia Mello escreve uma &lt;a href="http://www.pnetliteratura.pt/cronica.asp?id=848"&gt;crônica pretensiosa e arrogante&lt;/a&gt; no site português de literatura &lt;a href="http://www.pnetliteratura.pt/"&gt;PNETLiteratura&lt;/a&gt;. Entre outras bobagens pseudo-interessantes-e-sofisticadas, afirma não suportar a pergunta "Sobre o que você escreve?" Bem, ela deve achar que escrever é, para o escritor, assim como a excreção é para os pombos: uma atividade totalmente "natural" e que tem pouco controle por parte do organismo que a produz, sendo indigna de tornar-se objeto de alguma reflexão. Assim como o pombo não sabe por que caga, Patrícia Mello desconhece a razão por que&amp;nbsp;escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora não saiba muito bem como responder à pergunta "Sobre o que você escreve?", Patrícia acaba por fornecer algumas respostas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Literatura de escombros&lt;br /&gt;Catálogo de patologias urbanas&lt;br /&gt;Novo gótico&lt;br /&gt;Velho brutalismo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Notem que as respostas não são para a pergunta "Sobre o que você escreve?"&amp;nbsp;A pergunta que se harmonizaria melhor com as respostas acima é "O quê você escreve?" Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... Seja como for, que ela fique tranquila: afirmo com a segurança de um especialista&amp;nbsp;literário que sua literatura não é - jamais foi - "novo gótico". Tente outra sugestão, dona Patrícia. Arrisco-me a dizer que um "catálogo de patologias urbanas" costuma ser escrito por um psicólogo ou psiquiatra; quem sabe, dependendo de que tipo de patologia se trate,&amp;nbsp;até mesmo por um clínico geral. Jamais por um escritor. Acho que "literatura de escombros" está de bom tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia Mello dá mais uma sugestão: assim como "noventa e nove vírgula nove por cento dos escritores do mundo", escreve por jamais ter aceito a idéia da morte, desde que foi apresentada à Ceifadora aos 7 anos. Bem, me desculpem, mas devo ser mesmo um cara sortudo. Conheço pelo menos meia dúzia de escritores que escrevem por motivos mais realistas e menos deprimentes: porque se interessam pela vida. Vou citar dois nomes que muito admiro e com quem tenho a honra de manter algum contato: Elvira Vigna e Esdras do Nascimento. Acho que tanto Elvira quanto Esdras ficariam muito surpresos se eu lhes sugerisse que escrevem&amp;nbsp; por jamais terem feito as pazes com a idéia da morte. Gostaria de saber se a estatística de 99,9% de escritores ela obteve com o IBGE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia Mello devia mesmo estar de mau humor quando sentou-se para escrevinhar a sua crônica, porque faz um ataque direto à maioria dos leitores: quem faz esse tipo de pergunta - suponho que ela&amp;nbsp;continue&amp;nbsp;falando a respeito de "Sobre o que você escreve?" -&amp;nbsp;não é leitor de suas obras e, pior ainda, não é leitor de coisa alguma. Fiquei pasmo ao perceber que há perguntas que podem e outras que não podem ser feitas a um escritor, no geral, e a Patrícia Mello, no particular! Entre outros epítetos, ela sugere que esse tipo de perguntador (lembremo-nos de que, para ela, não se trata de um &lt;em&gt;leitor&lt;/em&gt;)&amp;nbsp; é "alguém que, como diria a patuléia, quer 'pegar amizade'". Achei lindo esse "como diria a &lt;em&gt;patuléia&lt;/em&gt;" que ela, se não me engano, roubou do&amp;nbsp; Elio Gaspari. Não conheço ninguém além do Gaspari que use o substantivo "patuléia". Patrícia Mello, descobri sem querer, é fã de Gaspari ao ponto de lhe subtrair um vocábulo. Aqui, faço uma pausa em consideração aos meus leitores portugueses, pois não estou bem certo de que o termo exista também em terras de Camões e Fernando Pessoa. "Patuléia" nada mais é do que a "classe baixa, a plebe, o povo, a ralé". Pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrícia Mello, sabemos todos, é discípula de Rubem Fonseca. Fiquei esperando que o nome do Mestre fosse citado em algum momento do seu texto&amp;nbsp;e ela não me decepcionou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"É sobre o quê?" é sempre a terceira&amp;nbsp;ou quarta pergunta (depois da sessão de reclamações) e Rubem Fonseca me ensinou a respondê-la (sempre com um sorriso nos lábios): "não gosto de falar sobre livros que estou escrevendo. Dá azar"&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não resisto a duas digressões. Primeira: alguém precisa decidir se a pergunta é "sobre o que" ou "Sobre o quê", porque a Patrícia ficou indecisa durante o texto. Segunda: passo a narrar-lhes agora uma historinha edificante que ouvi da boca de uma professora doutora do Instituto de Letras da Uerj, envolvendo os acima-citados Rubem e Patrícia, ele o nome maior da literatura policial brasileira, ela sua dileta discípula. A professora doutora nos contou a história, aos risos, durante uma aula do doutorado. Ela acordou um dia e foi tomar café num supermercado Pão de Açúcar da zona sul, creio que em Copacabana. Na mesa ao lado havia um ancião com uma mocinha. A minha professora doutora ficou observando-os, achando vagamente que os conhecia de algum lugar. Os dois estavam sentados muito próximos, falando em voz baixa, e&amp;nbsp;ela&amp;nbsp;primeiro achou tratar-se de algum velho babão assanhado dando em cima de uma jovem, mas o horário (não eram ainda nem 8 horas) lhe fez imaginar que devia ser outra coisa. Só quando o velhote se levantou, meteu os óculos escuros e o boné bem enterrado na cabeça, sendo imediatamente imitado pela moça, foi que ela os reconheceu: eram Rubem Fonseca e sua discípula bem-amada Patrícia Mello. A professora, nesse ponto da história, não conteve o riso. E eu, agora, acrescento: a que ponto se chega a vaidade humana! Num país de analfabetos puros e analfabetos funcionais, em que o mercado editorial é uma piada de dar dó, dois indivíduos tomando tantas precauções às 8 da matina só para não serem "reconhecidos"! Como disse Salomão em algum lugar, tudo é vaidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas continuemos. Patrícia, não satisfeita, em sua crônica passa então a chamar esses indivíduos que têm a audácia de lhe fazer tão terrível pergunta - que agora ela transcreve assim: "Sobre-que-você-escreve", com hífen, sem interrogação e artigo&amp;nbsp;- de "não-leitores". Deve ser a maior ofensa em que ela, acostumada a arquitetar tramas policiais ardilosas e lotadas de personagens malignos, consegue pensar. &lt;em&gt;Não-leitores&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crônica - sua primeira para o site português - aproxima-se do fim e eu não pretendo transcrever mais nada. Os exemplos acima já são mais do que suficientes. Uma crônica mau humorada e raivosa só porque um pobre leitor interessado tem a audácia e a desfaçatez de querer saber qual é o assunto da digníssima escritora, conhecer aquilo que é seu material e constitui seu interesse... Bem, só mesmo a hipótese de que a escritora não entendeu a pergunta para desculpá-la de tanta antipatia.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Tragicomédia</title>
    <published>2009-06-11T00:20:31Z</published>
    <updated>2009-06-11T20:03:17Z</updated>
    <content type="html">&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://portalexame.abril.com.br/economia/brasil-emprestara-us-10-bilhoes-ao-fmi-476599.html"&gt;O Brasil vai emprestar 10 bilhões de dólares ao FMI&lt;/a&gt;. Num país onde pessoas morrem na fila dos hospitais, onde a violência está sem controle e os presídios superlotados, com uma das polícias mais mal pagas do planeta, em que crianças começam a se viciar aos milhões&amp;nbsp;em crack, em que educação é uma palavra bonita pra discurso e "justiça" é só para banqueiros, seria cômico se não fosse trágico. Mais que trágico: lamentável. Lamentável que esses políticos e tecnocratas usem e abusem do poder que o povo analfabeto e enganado lhes confere para fazer gracinhas desse tipo. Vou reproduzir o comentário de um anônimo, que me parece resumir à perfeição o caso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os governantes do nosso país me fazem lembrar certos chefes de família que no 'pé sujo' pagam rodada de cerveja e cana para os amigos e em casa a família passa fome"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quê dizer mais?&lt;/div&gt;</content>
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    <title>Amor</title>
    <published>2009-06-10T02:37:31Z</published>
    <updated>2009-06-10T02:37:31Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://i20.photobucket.com/albums/b228/opiario/Pre-LachaiseWilde02.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a foto do túmulo de Oscar Wilde, no Cimetière du Père-Lachaise, em Paris. As pessoas costumam roubar o pênis da estátua (não são só os óculos do Drummond, na praia de Copacabana, que sofrem não...) mas também cobrem o túmulo de beijos, com marcas de batom. Uma estranha homenagem à qual, arrisco-me a&amp;nbsp;dizer, o querido Oscar não seria indiferente...&lt;/p&gt;</content>
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    <title>Com o pé na jaca</title>
    <published>2009-06-09T21:42:01Z</published>
    <updated>2009-06-09T21:54:31Z</updated>
    <content type="html">&lt;p align="justify"&gt;&lt;img title="" src="http://www.setaparacima.blogger.com.br/jaca.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amigo francês não se cansa de me predizer, referindo-se ao Brasil (ele morou aqui longos anos): "Vocês serão o celeiro do mundo. Vão matar a fome de todo o planeta". Pelo jeito, seremos não só o celeiro como o posto de gasolina também. &lt;a href="http://info.abril.com.br/noticias/internet/abacate-pode-ser-solucao-para-biodiesel-09062009-39.shl"&gt;Acabaram de descobrir que dá pra fazer biodíesel do abacate&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos nos vangloriar - embora seja uma glória meio esquisita - de que o nosso biodíesel é infinitamente melhor do que o do Tio Sam, pois o nosso, à base de mamona principalmente, custa menos para ser feito e rende mais, em relação ao biodíesel americano, feito de milho (um parêntese memorialístico: quando eu era pequeno, mamona só servia pra enfeitar terreno baldio e para que seu "fruto" - hesito muito em chamar aquela porcariazinha esférica e espinhenta de "fruto", mas são as armadilhas da língua, que se há de fazer? - fosse usado como munição nos estilingues; atualmente, virou uma espécie de ouro vegetal, cobiçadíssimo... Esse mundo tá perdido!). Agora, então, com o abacate, as coisas ficam mais interessantes. Ou esquisitas, repito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois anotem aí, vocês hão de se lembrar que a idéia surgiu primeiro aqui no Opiário: qualquer dia desses vão descobrir que se pode fazer biodíesel da jaca. Aí, então, ninguém mais vai nos segurar. O céu será o limite!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Na foto, a jaca é a da direita)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</content>
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