| Saint-Clair Stockler ( @ 2008-04-23 11:21:00 |
Operei a miopia há uns 8 ou 10 anos (o Tempo, pra mim, é uma questão complicadíssima - que vale até um post à parte), não me lembro bem. Operei numa clínica em Ipanema, muito conhecida. Um dia estava lá, na recepção, acho que aguardando a minha médica para os exames pós-operatórios, quando ele chegou. Reconheci-o logo, embora há tempos não o visse na TV. Ator da Globo, "galã", tinha feito muito sucesso na década de 80. Todas as mocinhas - e alguns mocinhos - suspiravam ao vê-lo naqueles tempos pré-malhatórios, em que um peito peludo bem torneado, mas sem músculos, fazia a delícia e o prazer de muita gente pelo Brasil. Confirmei logo que os boatos eram verdadeiros: uma bichona. Estava com o rosto meio inchado (botox?), e irrompeu inopinadamente, não parando na recepção e já entrando pelo corredor a dentro. Foi barrado por uma das recepcionistas (nenhuma o reconheceu). A contragosto retornou até ao balcão das recepcionistas. Mal podia conter a sua indignação. A funcionária, impassível, explicou que ele precisava aguardar sua vez e que, enquanto isso, teria de fazer sua ficha. "Qual seu nome?" Os olhos arregalaram-se por um segundo. "Márcio", disse ele, a voz perigosamente baixa e a impaciência a ponto de transbordar. "Márcio do quê?" Os olhos estreitaram-se perigosamente, duas fendas horizontais fuzilando a moça que, cabeça baixa olhando a tela do computador, não deu pela coisa. O sobrenome saiu como uma bofetada: "Vitti" (naquele momento pude ouvir claramente a pergunta não formulada, mas que passava pela cabeça famosa nos ecrãs outrora: "Como ela ousa não me reconhecer?!?) A recepcionista ficou ainda alguns instantes digitando e depois pediu para que o paciente aguardasse, brindando-lhe com um sorriso radiante.
Hoje está totalmente sumido da TV. A nova geração não sabe mais quem ele é ou foi. Mas deixou um herdeiro: agora é seu filho, um garotão bonito, quem leva o nome "Vitti" até as luzes dos refletores da Vênus Platinada.
E eu fico aqui, recordando a cena, que nunca mais me saiu da cabeça: como a fama é traiçoeira, como as pessoas são ridículas, como tudo é efêmero e impermanente!
(P.s.: Não adianta procurar nenhum "Márcio Vitti" no Google: troquei o nome verdadeiro do ator, claro, para preservar sua identidade e minha conta bancária de um improbabilíssimo, mas possível, processo).