Acho que esse é o trailer mais bonito que me lembro de já ter visto!
Tibor Moricz, contando que sua mãe adorou o meu conto na Imaginários.

Não sou santo. Nem faço questão de sê-lo. Não tenho vergonha em assumir: tenho quase todos os pecados e defeitos do mundo. Mas existe uma coisa, uma só, que me é completamente alienígena: a inveja. Não sou uma pessoa invejosa, que me lembre nunca senti inveja seja de quem for ou de que situação for. Me é até difícil "entender" a inveja, que acho uma perda de tempo: o invejoso não vai conseguir possuir aquilo que inveja e ficará duplamente frustrado, por invejar e por não conseguir. Inutilidade total.
Bom, você me diria: que bom que você não sabe o que é inveja. E eu concordaria: é mesmo. Certo? Errado. Já notei que não ser invejoso causa certo transtorno, incômodo e confusão. Vou lhe explicar: tenho vários amigos em situação muito boa (vou me ater ao campo financeiro, onde a inveja é mais visível), alguns em situação financeira excelente. E já percebi que eles ficam incomodados por eu não dar o mais mínimo indicativo de que sinto inveja da situação deles. Algumas vezes, chegam eles a me olhar até estranho. A sensação que tenho é que aos olhos deles falta "alguma coisa".
Daí, descobri um fato importantíssimo: a inveja pode andar de braços dados com a vaidade. O invejado, muitas vezes, sente-se bem por sê-lo. Não sei bem como o processo se dá, lá nos meandros do inconsciente, mas imagino que seja assim: "Oh, como é gostoso, fulano me inveja! Eu tenho, eu possuo, ele não" e "me inveje, me inveje, me faz bem me ver no espelho dos seus olhos arregalados de inveja".
Isso só me faz concordar que o ser humano é, sim, uma criatura muito misteriosa e complicadinha...

Eu e o escritor Tibor Moricz estamos organizando uma nova coletânea, essa exclusivamente de ficção científica, tanto hard quanto soft, e ainda em qualquer um de seus subgêneros.
Procuramos 4 autores para, juntos a outros 8 previamente convidados, integrar um grupo de 12.
O tema será “Brinquedos do futuro” e o título do livro Brinquedos mortais.
Queremos contos que causem desconforto, perturbação, medo, perplexidade, inquietação. Contos que fujam dos clichês ou os utilizem de forma criativa e original.
O tamanho dos contos não poderá exceder 12 páginas formato A4, tabulação padrão do Word, fonte Times New Roman, corpo 12, com entrelinhas de 1,5.
Antecipamos que contos mal escritos, com evidente descuido de revisão e forma, serão descartados logo de início. Os 4 aprovados publicarão ao lado de seis “feras” da ficção científica brasileira.
São eles:
Ataíde Tartari,
Braulio Tavares,
Carlos Orsi Martinho,
Lúcio Manfredi,
Luis Brás (heterônimo de Nelson de Oliveira),
Roberto de Sousa Causo,
Tibor Moricz
Saint-Clair Stockler.
Os contos deverão ser enviados até o dia 28 de fevereiro de 2010 para o email: brinquedosmortais@gmail.com
A editora parceira é a Editora Draco e a publicação tem previsão para até junho de 2010.
Queremos MUITA transpiração de todos.
Bom trabalho!

Algo me diz que o governo do Estado do Rio de Janeiro vai ter muito trabalho para aprontar a cidade para as Olimpíadas e a Copa do Mundo...
(Na foto, uma moradora de Copacabana foge - tendo por trás um policial armado - depois que bandidos incendeiam um ônibus na principal avenida do bairro, em protesto pela ocupação policial no morro Pavão-Pavãozinho)

"Espero que a Oprah não esteja chateada com as Olimpíadas. Chicago mandou Oprah e Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi justo" - Robbin Williams

O site da revista CartaCapital publica uma resenha da pena do jornalista Antonio Luiz M. C. Costa a respeito do iminente lançamento dos volumes 1 e 2 da série Imaginários, que eu, Tibor Moricz e Eric Novello organizamos e nos quais temos um conto cada. Reproduzo-a integralmente abaixo:
Para alimentar a imaginação
Depois de muitos anos de estagnação pontuada apenas por valentes fanzines de qualidade incerta e variável, antologias de contos brasileiros (com participação ocasional de portugueses e hispanoamericanos) de ficção científica, horror e fantasia, com autores de categoria profissional, estão voltando a se tornar rotina. Da gaúcha Editora Não, têm sido lançados desde o final de 2008 três livros da coleção Ficção de Polpa. Da paulista Editora Tarja, foram lançados desde 2005 três livros da coletâneaNecrópole, em 2008 a Histórias do Tarô e em 2009 a série Paradigmas (três livros já lançados, mais um previsto para dezembro) e a coletânea Steampunk.
Surge agora uma nova série, a Imaginários, da também paulista e estreante Editora Draco ( http://editoradraco.com/ ), cujos dois primeiros livros serão lançados simultaneamente em 28 de novembro, na Livraria Cultura do Shopping Market Place, em São Paulo. Cada volume tem 128 páginas ao preço de R$ 22,90 e ambos foram organizados pelos escritores Tibor Moricz, Saint-Clair Stockler e Eric Novello.
Deve-se dizer que as capas, embora bem cuidadas, não correspondem bem ao conteúdo. Sugerem um tipo de aventura fantástica adolescente, ao estilo dos quadrinhos do gibi Heavy Metal, no qual não se enquadra nenhum dos contos das duas antologias, ambas de tom bem mais maduro e sofisticado – mesmo se frequentemente também muito divertidas.
Imaginários 1 reúne onze contos, todos de autores brasileiros, mas com propostas especulativas das mais variadas. Dois ou três brilhantes, um ou dois relativamente fracos e os restantes de bom nível profissional.
Coleira do amor, de Gerson Lodi-Ribeiro é ficção científica da mais moderna. Não é redundância, pois não são poucos os autores se prendem a antigas ideias sobre o futuro, que perderam relevância para as preocupações e especulações do presente. O tema é o uso voluntário da manipulação bioquímica dos sentimentos – no caso, a exacerbação do amor, cujos problemas surgem quando morre um dos parceiros – em um cenário futurista surpreendente, mas cientificamente plausível, muito verossímil e que dialoga com questões relevantes para o futuro da sociedade e da ética.
Eu, a sogra, de Giulia Moon é fantasia da mais divertida. Uma bruxa é apresentada à nora em um momento pouco conveniente, criando uma situação de ofuscar os melhores episódios de seriados como A Feiticeira.
Veio... novamente, de Jorge Luiz Calife, um veterano que escreve ficção científica desde os anos 80, tem um sabor algo saudosista. Uma família estadunidense algo idealizada tem um Contato Imediato quase spielbergiano no deserto de Mojave.
A encruzilhada, de Ana Lúcia Merege, segue os caminhos clássicos da fantasia medieval, embora sem elfos ou anões. Sutil e com uma linguagem muito bem trabalhada, só lhe falta um fechamento satisfatório como conto, pois termina abrindo e anunciando possibilidades ainda mais interessantes, como se fosse o prólogo de uma história mais longa.
Por toda a eternidade, de Carlos Orsi é uma breve história de crime no espaço com um toque de humor. Com apenas duas páginas, esse miniconto não se classifica na mesma divisão dos outros, mas vale a leitura.
Twist in my sobriety, de Flávio Medeiros, pertence à tradição paranoide (e, com frequência social e politicamente conservadora, como neste caso) da invasão extraterrestre, neste caso realizada de maneira peculiar e original.
Um toque do real: óleo sobre tela, de Roberto de Sousa Causo, talvez seja a mais fascinante das fantasias deste volume. Um pintor perde-se em um universo paralelo formado por sua própria pintura.
Alma, de Osíris Reis combina de maneira complexa e ousada na qual fantasia e ficção científica se misturam do ponto de vista de uma extraterrestre que habita um mundo exótico.
Contingência, ou Tô pouco ligando, de Martha Argel é uma ficção científica sobre o mundo contemporâneo, com um argumento político ecologista muito bem fundamentado, bem-humorado e integrado na trama. É um confronto fluente e vivo com a ciência tal como realmente é praticada, embora exija um mínimo de disposição de lidar com termos e conceitos de biologia.
Tensão Superficial, de Davi M. Gonzales, é a aventura de um estudante que encontra um mistério inexplicável em um prédio muito antigo. Um conto curto e comparativamente fraco.
Planeta Incorruptível, de Richard Diegues – que é sócio e editor da concorrente Tarja –, poderia ser chamado de uma ficção teológica, mais que científica: invasores alienígenas confrontam santos e milagres da Igreja Católica.
Imaginários 2 vem com sabor transatlântico – pois junta cinco brasileiros a quatro portugueses: João Barreiros, Jorge Candeias, Sacha Ramos e Luís Filipe Silva – e uma qualidade mais regular, pois todos os nove contos são de boa qualidade. É difícil apontar qual mais se destaca.
Se acordar antes de morrer, de João Barreiros, acompanha um robô que, programado para personificar Papai Noel a cada Natal, insiste em representar seu papel em meio ao um dos apocalipses mais absolutos e deprimentes já concebidos pela ficção científica.
Às vezes eu os vejo, de Saint-Clair Stockler, uma mulher simples do interior do Brasil com a capacidade de ver seres louros e misteriosos que ninguém mais vê – talvez os intraterrestres de certas crenças esotéricas – conta sua história e se mostra mais culta e ousada do que se poderia suspeitar.
Flor do Trovão, de Jorge Candeias desafia o leitor a se pôr na pele de um alienígena sem nada de humano, em um mundo estranho e primitivo. É uma história para leitores dispostos a enfrentar uma ficção científica experimental e especulativa, que busca questionar mais que divertir.
O toque invisível, de Alexandre Heredia, trata de um software tão complexo e sofisticado que acaba por ganhar consciência e vontade própria. O tema, já tradicional na ficção científica, é retomado com especial vivacidade e humor, com personagens e ambiente empresarial muito convincentes.
O cheiro do suor, de Eric Novello, é um sujo conto noir de crime e violência, na qual um lobisomem presta diferentes tipos de serviços a policiais corruptos.
A Rosa Negra, de Sacha Ramos, combina crime, amor, fantasia e ficção científica com habilidade e beleza e arma o drama pungente de um jovem português do futuro que tenta escapar ao peso da tradição familiar de cultivo de rosas transgênicas, legada por um avô terrível, para se unir à noiva no Brasil.
A casa de um homem, de Luís Filipe Silva, conta a história de um homem cuja odisseia para recuperar a casa roubada o leva a peregrinar por um pedaço de Portugal vendido (para cobrir a dívida pública) para um regime neonazista, por uma Nova York decaída e transformada em uma nova Hong Kong e por uma Nova Inglaterra devorada por insetos mutantes.
Eu te amo, papai, de Tibor Moricz, um horror meio científico, meio fantástico, com um protagonista que se esforça para se manter insensível às implicações morais de trabalhar em uma central que explora a energia paranormal gerada por crianças confinadas em casulos desde o nascimento, enquanto estas armam uma rebelião sem precedentes.
Uma questão de língua, de André Carneiro, decano da ficção científica brasileira (começou a escrever no gênero em fins dos anos 50), mais uma vez recorre a seu enredo favorito, um homem obcecado por uma mulher misteriosa. Neste caso, um homem especializado em invisibilidade e uma mulher que faria qualquer coisa por um livro raro de Jorge Luís Borges.
(Aproveitando o ensejo: o Opiário hiberna, mas ainda não morreu. Beijos a todos!)
Li a história há anos, numa reportagem, e nunca me esqueci dela. Alguns funcionários da filial brasileira de uma montadora de automóveis - deve ser a Wolkswagen, mas não me lembro mais - foram fazer um treinamento na Matriz. Todos os dias havia reuniões entre os alemães e os brasileiros. Ao final, foi feita uma enquete sobre o que um grupo achou do outro. Não me recordo do que os brasileiros acharam dos alemães ("muito frios, muito distantes, muito formais" deve ter sido) mas houve duas coisas, apontadas unanimemente pelos alemães, que os chocaram em relação ao comportamente brasileiro:
Primeira: os brasileiros nunca chegavam na hora. Só 15 minutos depois do horário marcado;
Segunda: durante as reuniões, eram distribuídos bloquinhos de papel e canetas a todos os participantes. Ao final, os alemães destacavam as folhas usadas e deixavam o restante do bloco, mais a caneta, sobre a mesa de reuniões. Os brasileiros levavam os blocos mais as canetas.
A famosa "(im)pontualidade" brasileira também me incomoda: faço questão de chegar no horário marcado; às vezes, até 5 minutos antes. Raramente me atraso, embora, numa cidade como o Rio de Janeiro, em que as principais vias de acesso são frequentemente interrompidas por 2 ou 3 horas devido aos tiroteios, isso acabe sendo mais comum do que se desejaria. Não me incomodo de esperar (já esperei uma amiga por uma hora e meia, numa boa - e isso num tempo em que não havia celulares pra gente se comunicar). Mas, aos estrangeiros, eu daria uma sugestão: se você marcou um encontro com um brasileiro, tenha em mente que muito provavelmente ele ou ela vai chegar uns 15 minutos atrasado(a). No Brasil, 15 minutos de atraso nem é considerado atraso. Atraso só depois desse tempo.
(Preocupação com atrasos me lembra os japoneses. Acho que todo mundo já viu, em reportagens sobre o Japão, sobretudo em Tóquio, um monte de homens e mulheres muito esbaforidos, correndo pelas calçadas. Sempre achei aquilo engraçado, até que um dia descobri a razão: no Japão é praticamente pecado mortal chegar-se atrasado seja para o que for)
Sobre os bloquinhos e canetas, acho que é uma questão realmente mais complicada. Eu mesmo não vejo nada de mais em se levar o material, e, provavelmente, se estivesse nessa reunião da Wolkswagen, teria feito o mesmo sem me aperceber de que estava ofendendo quase mortalmente os alemães. É a tal "diferença cultural", se é que isso serve de escusa.
Ri muuuuuuuito!
Não é uma delícia escutar falarem francês - mesmo que seja apenas apresentando um celular? Ô língua gostosa!

Servidos?
Adoro Hermes & Renato! kkkkkkkk
Sempre achei laptops, notebooks e netbooks aparelhos um tanto quanto toscos. Nunca consegui me sentir 100% satisfeito com eles. As baterias duram pouco, a maior parte deles é desconfortável de se ficar carregando pra cima e pra baixo (exceção feita aos netbooks - mas estes perdem poder de fogo), os teclados são uma bosta pra quem tem mãos grandes como eu.
Achava sempre que era preciso inventar algo melhor, maior que um telefone celular e menor que um netbook. Pois agora esses aparelhinhos - os chamados "MID" (Mobile Internet Device) - começam a se tornar populares. A Dell está para lançar esse que vemos no vídeo, e há outros exemplos, como um tablet da Archos (com o Android como sistema operacional!). Há, inclusive, rumores de que a Apple está para lançar um aparelho desses que revolucionará o mercado assim como já fizeram com os iPods e os iPhones. Veremos.
Seja como for: as coisas estão chegando mais perto das minhas expectativas - e, em minha modestíssima opinião, vão se tornar cada vez mais interessantes. Os produtos precisam ainda melhorar muito, muita água ainda vai passar por baixo dessa pinguela, mas as coisas estão indo.

É ou não é uma delícia isso?


Saíram as capas das Imaginários que Tibor Moricz, Eric Novello e eu organizamos (e em que também participamos com um conto cada).
No volume 1 teremos os seguintes autores: Gerson Lodi-Ribeiro, Giulia Moon, Jorge Luiz Calife, Ana Lúcia Merege, Carlos Orsi, Flávio Medeiros, Roberto de Sousa Causo, Osíris Reis, Martha Argel, Davi M. Gonzales e Richard Diegues.
No volume 2: João Barreiros (Portugal), Saint-Clair Stockler, Jorge Candeias (Portugal), Alexandre Heredia, Eric Novello, Sacha Ramos (Portugal), Luís Filipe Silva (Portugal), Tibor Moricz e André Carneiro.
Como se pode observar, conseguimos reunir o que de melhor há em literatura de gênero no Brasil, tanto "jovens" quanto "velhos" talentos. E, de quebra, teremos a presença de alguns portugueses que tornarão esse projeto ainda mais interessante.
Estou particularmente feliz em ter a presença do português João Barreiros e do brasileiro André Carneiro. Ambos são os decanos da Ficção Científica em seus respectivos países - e era um sonho antigo meu figurar num volume junto com tão ilustres autores, a quem admiro incondicionalmente.
Na ficção científica, estamos recomeçando depois de uma longa crise, mas eu diria que há autores que se comparam bem ao que tem sido produzido lá fora. Se houvesse um público e um mercado que lhes permitisse dedicar-se em tempo integral à literatura, como existe nos EUA e Reino Unido, e se desenvolver plenamente como escritores, acredito que estariam à altura da melhor produção desses países. Com o risco de cometer injustiças, cito alguns exemplos: Gerson Lodi-Ribeiro,
Em dado momento da longa entrevista ao site SAMIZDAT, Antonio Luiz M. C. Costa, editor da revista CartaCapital, cita o meu nome como um promissor iniciante no gênero da Ficção Científica. Confesso que isso me pegou de surpresa porque, embora tenha escrito alguns contos de FC, eu próprio pensaria em mim muito mais como um autor ligado à Fantasia que ao Fantástico ou à FC. Em parte isso se explica porque o nível dos autores de FC brasileiro - estou me referindo a gente como Bráulio Tavares, Roberto Causo, Jorge Luiz Calife, entre outros - é tão alto que me parece uma temeridade querer ombrear-se com eles. Adoro FC e pretendo continuar escrevendo mais textos do gênero, mas, ainda assim, fiquei surpreso.
A entrevista merece ser lida em sua totalidade, porque o Antonio Luiz é um dos caras mais antenados e perceptivos quando se trata de literatura de gênero no Brasil - nem sempre concordo com ele, mas pelo menos tento ouvi-lo com toda a atenção, porque não se trata de um palpiteiro (coisa que abunda neste país) e sim de alguém que quando fala é porque tem embasamento.

Acabou de acontecer: bandidos derrubam helicóptero da Polícia Militar no Morro dos Macacos e, em seguida, ele explode, matando 2 policiais. Eu sempre soube que isso, um dia, ia acontecer. Estou surpreso de que tenha levado tanto tempo.
Rio de Janeiro: Cidade Olímpica.

Na foto: Gordon Brown, Primeiro Ministro da Inglaterra, dando um beijinho em Michelle Obama, Primeira Dama dos EUA. Meu comentário-veneninho: deve ser a primeira vez na vida que Brown troca beijinhos com um negro... Como as coisas mudam no mundo, meu Deus! Certo estava Buda: nada é fixo, tudo é impermanente...
Eu amo demais essa mulher.

Faltam 10 dias para o lançamento mundial do Windows 7 mas, como se pode ver na imagem, já estou usando-o há tempos. E o melhor: sem cracks e perfeitamente ativado.

22. Vendeu-se então a Telebrás, dividida em quatro partes – a Embratel, que tinha todo o sistema de longa distância e de transmissão de dados, e a telefonia fixa local agrupou-se em três empresas: uma em São Paulo, a Telesp, outra cobrindo o Sul e o Oeste, e uma terceira cobrindo o Nordeste desde o Espírito Santo até o Amapá.
23. No caso de São Paulo, venceu o leilão a Telefónica de España. Grandes esperanças, grandes comemorações. Mas logo uma nova realidade desabou sobre a Telesp. Chegaram os espanhóis. Inicialmente colocaram um espanhol “grudado” a cada gerente brasileiro. Em seguida demitiram os brasileiros. Hoje não existe na atual Telefônica, ex-Telesp, ninguém com mais de 10 anos de casa. Toda a memória profissional da empresa foi perdida.
24. Implantaram desde o início a famosa mesa de compras, uma instituição de caráter financeiro extremamente prejudicial à própria Telefônica – mas o sistema vinha sendo usado na Espanha, por que não no Brasil? Consiste do seguinte: a empresa faz uma concorrência, como é normal. Convida cerca de 5 a 10 participantes. Uma análise de preços é feita, bem como uma analise técnica. Escolhe-se o vencedor, com o menor preço e a melhor proposta técnica. Normalmente o processo de compra terminaria aí, com a assinatura do contrato e implantação do sistema. Mas na Telefônica é diferente.
25. O processo vai para a mesa de compras, na qual os executivos são remunerados em função dos descontos que conseguem. Chamam a empresa vencedora, e comunicam (sim, não negociam, comunicam) que se o vencedor não der um desconto de, por exemplo, 20%, nada feito, o contrato não será assinado. A empresa escolhida preparou a sua proposta com base em dados de custos, de mercado, prevendo certo nível de compras, certo número de homens-hora de profissionais etc. É obrigada a aceitar a redução imposta pela Telefônica, assina o contrato, o espanhol da mesa de compras fica mais rico com um enorme bônus, e o usuário brasileiro é o único prejudicado. A fim de conseguir implantar o sistema pelo novo preço, agora drasticamente reduzido, o fornecedor tem de fazer cortes.
26. Reduz a qualidade do material, a qualidade da mão-de-obra, reduz a confiabilidade dos sistemas, enfim, adapta sua proposta ao que vai receber. E assim a Telefónica foi ao longo destes últimos 10 anos expandindo as telecomunicações no Estado de São Paulo, da forma mais barata possível, e com baixíssima qualidade e confiabilidade.
27. Mas pelo menos os espanhóis investiram, trouxeram dinheiro da Espanha, verdade? Infelizmente, não. A Telefónica de España não enviou de Madri um único euro para investir no Brasil. Todo o investimento feito aqui pela Telefônica usou receitas obtidas aqui mesmo. Ou seja, quem pagou os investimentos – mal feitos – da Telefônica foi o consumidor brasileiro – e os bancos brasileiros, principalmente o BNDES. Veja bem, vendemos a Telesp aos espanhóis, estes usaram nosso dinheiro para investir e obter lucros enormes que mandam para a Espanha. Além disso, criaram um enorme desemprego no setor – a privatização da Telebrás colocou na rua em dois anos nada menos do que 200 mil pessoas. Sim, 200 mil profissionais foram dispensados. Para dar lugar aos espanhóis ou para fazer economias que no futuro iriam cobrar um pesado preço sob a forma de péssimo serviço e falhas no sistema.
28. A Telefônica terceirizou tudo que foi possível, começando pelo atendimento. Vendeu o setor de atendimento à empresa espanhola Atento, de propriedade da Telefónica de España. Note: de propriedade da Telefónica de España. Ou seja, a Telefônica Brasil compra os serviços da Atento, paga pelos serviços, a Atento lucra com eles, e remete seus lucros diretamente para Madri. Terceirizou manutenção de prédios, operação dos sistemas, manutenção, tudo. Os projetos são feitos pelos fornecedores, a engenharia idem. Não existe na Telefônica, hoje, um grupo de profissionais de telecom. Ela é nada mais do que a marca. O resto é de terceiros. E mais uma vez feito de forma impositiva e leonina, pois os fornecedores que implantaram os sistemas são chamados e informados de que terão de tirar os defeitos, operar, manter etc. O fornecedor faz seus cálculos, usando o número adequado de homens, de veículos, equipamentos de teste etc. Apresenta uma proposta, e a mesa de compras exige -mais uma vez – enormes descontos. O fornecedor tem de ceder, mas de novo reduz o número de pessoas, de veículos, de equipamentos, reduz a qualidade da mão-de-obra, faz cortes drásticos para poder cumprir o contrato e ainda ter lucro.
Seria bom você ler o artigo inteiro, pra entender por que pagamos cada vez mais caro e por que os serviços de telefonia só pioram. É uma história de terror, não se chega ao final do texto sem se sentir apavorado.
Mais de 127 milhões de pessoas viram isso. Assista e tire as suas próprias conclusões. A minha é: o ser humano é mesmo uma criatura imbecil....

"Estudo revela que robôs podem ser usados para espionagem e vandalismo"
Cadê a novidade? Isaac Asimov já nos dizia isso há bem mais de meio século...

Agora é oficial: Imaginários, a coletânea em dois volumes que eu, Tibor Moricz e Eric Novello organizamos (e da qual também participamos, cada um com um conto) está prestes a ser lançada.
Esse foi um projeto que teve muitas reviravoltas, passou pelas mãos de algumas das melhores editoras brasileiras de ficção de gênero e, finalmente, acabará sendo lançada por uma pequena editora recém-lançada - a Draco -, que tem a sorte de ter um editor entusiasmado, apaixonado e corretíssimo. Foi melhor assim e fiquei (ficamos) tremendamente satisfeitos com o resultado.
Como disse, a Imaginários será lançada em dois volumes. O primeiro reúne apenas escritores brasileiros, tanto "jovens talentos" quanto "velhos dinossauros" da Ficção Científica e da Fantasia nacionais.
O segundo trará, além de brasileiros, alguns portugueses convidados. Sempre tive claro na minha cabeça que não adianta nos enclausurarmos no gueto tupiniquim, sem lançarmos mão de uma ponte até o outro lado do Atlântico, ampliando o contato com o povo que fala a "mesma" língua que nós. (Sim, Miguel, o João Barreiros é um dos nossos autores, com um divertidíssimo conto de zumbis num shopping!)
A literatura brasileira, geralmente, é descrita como uma literatura fortemente ancorada no realismo (daí não termos tido entre nós um Gabriel Garcia Marques ou um Jorge Luis Borges, por exemplo), urbana, violenta, híperssexualizada - mas espero que as Imaginários ajudem a mostrar que pode haver algo mais além disso, um outro lado que vai beber não na fonte do real, mas no imaginário, nas fantasias e na Ficção Científica.
Em breve, mais novidades - tanto em relação às Imaginários quanto a outros projetos que estão surgindo.
[A ilustração acima é um detalhe da capa do primeiro volume da Imaginários]